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Dia do Psicólogo

27 de Agosto de 2020 às 13:51 Publicado por: Redação
Dia do Psicólogo Foto: Reprodução

– Elói, por que você não inicia uma coluna sobre Psicologia escrevendo um texto em razão do Dia do Psicólogo?

– Claro, que ideia ótima!

Mal sabia eu que seria tão exigente falar sobre este dia!

Talvez fosse mais fácil falar sobre os sofrimentos produzidos pela pandemia, sobre relacionamentos familiares ou outros temas do cotidiano de qualquer leitor. Que desafio!

Mas…parando para pensar, será que falar sobre as(os) psicólogas(os) não é falar justamente sobre tudo isso? De profissionais que oportunizam um espaço de manifestação livre, de suspensão de juízos e acolhimento para os mais variados dilemas do ser humano?

A profissão data de meados do século XX, mas se detém sobre perguntas que nos atravessam por milênios. Inquietações da filosofia, da medicina, das religiões…

Ciências e crenças que buscam até hoje compreender e explicar a mente e o comportamento humanos.

E eu arrisco dizer que talvez seja esta nossa mais valiosa herança: a capacidade de questionarmos tudo que nos é colocado como objeto de estudo. Contra todas as explicações naturalizantes e generalistas.

– Elói, tô achando tudo muito bonito, mas um tanto complexo!

Te conto uma história para clarificar:

No início de seu estudo, Freud recebia pacientes, mulheres em sua maioria, com sintomas corporais para os quais nenhuma área médica pudera dar solução. Eram paralisias, alterações na fala e outras coisas parecidas que não tinham causa aparentemente biológica.

Ao invés de ignorá-las por completo, como a cultura da época poderia facilmente supor que ele faria, Freud arriscou-se em uma mudança tremenda de paradigmas.

Dedicou-se a investigar essas manifestações e valeu-se de um importantíssimo instrumento: a escuta. Quem poderia imaginar que algo “tão simples” produziria tantas mudanças?

Dando a essas mulheres lugar para que falassem – sobre seu sofrimento ou qualquer outra coisa que lhes ocorresse – inaugurou a Psicanálise e uma cascata de transformações sem precedentes.

Mais de 100 anos depois, ainda nos detemos sobre velhas e novas questões, cientes do quanto há por fazer e como é fácil retrocedermos. Escutar não é tarefa fácil, bem como é exigente aceitar que o outro pode falar! Há silenciadores por todo lado!

E que bom que existem as (os) psicóloga (os) para que toda voz possa ser ouvida e novas formas de estar no mundo sejam possíveis!

Elói B. Doltrário

Psicólogo

CRP 06/158865

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