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Setembro Amarelo

10 de Setembro de 2020 às 10:49 Publicado por: Redação
Setembro Amarelo

De uns anos pra cá, todos os meses do ano ganharam uma cor. Alguns tem várias delas, inclusive. Mas você já se perguntou a que se dedicam essas campanhas? Pois elas visam dar visibilidade, trazer à tona, fazer menção a assuntos que podem, no cotidiano, ficar esquecidos.

Agora, este esquecimento pode ser um simples lapso de memória, ou indicar um tabu, uma dificuldade de raízes históricas, culturais e até religiosas de lidarmos com determinados temas. Acontece que, como tratei no texto que escrevi em razão do Dia do Psicólogo, o silenciamento pode ser tão ou mais doloroso e prejudicial que o próprio problema em questão.

Alguns assuntos precisam ser falados e colorir o mês de setembro de amarelo visa trazer à tona o tema do suicídio.

Se pudesse escolher uma representação, diria que o suicídio é um ponto final. Ponto que, em gramática, cumpre, ao menos, duas funções: pode dar fim a uma sentença e ou abreviar algumas palavras.

O suicídio me parece bem isso: abrevia a vida de muitas pessoas que poderiam continuar vivendo, mas que, por motivos que somente elas conhecem, chegou ao fim.

E há pelo menos dois os fatores que nos incomodam profundamente quando nos deparamos o suicídio: a perda de alguém, propriamente, e a dificuldade de encontrar respostas para o que aconteceu.

É comum que queiramos explicações para todas as coisas, que queiramos chegar às causas de um suicídio, ainda mais se o experimentamos de perto. Tomados por este querer, nos detemos sobre os fatores precipitantes, aqueles que poderíamos chamar de “a gota d’água”. O término de um relacionamento, a perda de um emprego… parece ser reconfortante nomear uma causa. “Foi por isso!” – pensamos aliviados.

Mas, uma das primeiras coisas que se percebe por meio da Psicologia, é que o suicídio é multifatorial. Muito dificilmente se poderia apontar uma única causa e, mesmo que existisse, em alguns poucos casos, só aquela pessoa que se foi saberia.

E por que digo isso? Porque dentre estes muitos fatores, que chamaríamos de predisponentes, podem haver muitas de nossas ações diárias. Você já se perguntou quanto sofrimento pode nascer daquilo que você fala, faz ou compartilha?

Porque, em última instância, é a isto que se deseja dar um fim: ao sofrimento!

E se, hoje, ao invés de falarmos daqueles que sofrem, tirássemos um tempo para pensar em quem faz sofrer?

Não se engane, eu e você podemos fazer parte disso. Mas eis o alento: podemos mudar!

 

Elói B. Doltrário

Psicólogo – CRP 06/158865

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