CPB exalta delegação recorde no Parapan, mas lamenta nova classificação funcional

19 de agosto de 2019


Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), vive um misto de alegria e frustração às vésperas da abertura dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, que começam na sexta-feira, 23. O ex-atleta da modalidade futebol de 5 comemorou o fato de o Brasil levar uma delegação recorde ao Peru, de 337 atletas, mas lamentou o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) ter recentemente alterado a classificação funcional dos competidores.
O efeito das mudanças ainda não dá para ser dimensionado, mas certamente influenciará no número de medalhas do Time Brasil. Um dos destaques da natação nacional na última década, por exemplo, André Brasil ficou inapto. O IPC entendeu que ele não é mais deficiente. Dono de 14 medalhas paralímpicas, ele tem uma pequena diferença de tamanho entre as pernas devido a uma reação à vacina contra poliomielite.
“Foi uma medida intempestiva, sem qualquer tipo de planejamento. Aconteceu no meio do ciclo (em abril). Lamento muito postura tão amadora por quem alterou os critérios de classificação”, comentou Mizael em entrevista ao Estado.
Não há mais tempo de reverter a decisão no Parapan, mas o presidente do CPB confia que conseguirá uma reviravolta para os Mundiais de natação e de atletismo que ocorrerão em setembro e novembro, respectivamente. “Nossos advogados estão avaliando a possibilidade de ajuizar ação na Justiça comum da Alemanha. Entendemos que nossa responsabilidade é estar ao lado dos nossos atletas. Vamos lutar até o fim”, afirmou.
O presidente do IPC é o brasileiro Andrew Parsons, que comandou o Comitê Paralímpico Brasileiro na gestão anterior, que tinha Conrado de vice-presidente. Os dois têm boa relação. O questionamento está na falta de transparência com que foram feitas as mudanças. Logo após o anúncio, Parsons justificou que “tudo foi feito em consulta com os países”. Ele disse ainda que a intenção era “criar um sistema melhor e uma base científica maior dos critérios”.
A classificação influencia no tipo de adversário. Na natação, por exemplo, de S1 a S10 estão incluídos os nadadores com limitações físico-motoras. Um nadador que vai do S4 para o S5 encontrará rivais mais rápidos. Se fizer o caminho inverso, terá vantagem. Por isso é importante classificar o competidor de acordo com sua deficiência.
DELEGAÇÃO RECORDE – Mas nem tudo é para se lamentar neste Parapan. Mesmo com as mudanças, o Brasil terá em Lima sua maior delegação, com 512 integrantes, sendo 337 atletas, em 17 modalidades – há 20 guias. O número representa um acréscimo de 24% em relação ao time que disputou o Parapan de Toronto, na edição de 2015.
Mizael disse ao Estado que a meta em Lima é ultrapassar cem medalhas de ouro. No Canadá, foram 109, mas era uma competição às véspera dos Jogos Paralímpicos do Rio. O Brasil também tentará manter a hegemonia na disputa. Desde 2007, quando a competição passou a ser realizada na mesma sede do Pan, a delegação nacional fecha o torneio na liderança do ranking de medalhas. Foi assim no Rio-2007, em Guadalajara-2011 e Toronto-2015.
RECEITAS – Mizael já foi atleta e sabe das necessidades para manter a alta performance. Bicampeão paralímpico com o futebol de 5 (2004 e 2008), modalidade para cegos, e eleito o melhor do mundo em 1998, ele comentou o esforço que é feito para manter funcionando o Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo, obra do legado dos Jogos do Rio-2016.
O espaço ao lado da Rodovia dos Imigrantes, de 95 mil metros, custa R$ 30 milhões por ano. “Toda estrutura está de acordo com as normas paralímpicas. É um grande desafio mantê-lo. Isso é o que garante a qualidade do treinamento”, disse.
Para garantir excelência estrutural, é preciso ter diferentes formas de arrecadação. A meta do CPB é fechar o ano com receitas de R$ 160 milhões, número semelhante ao de 2018. Hoje, o Comitê Paralímpico conta com a Lei Agnelo Piva, que destina 1% das loterias federais à entidade. Caixa, Braskem e Toyota patrocinam o CPB. Ajinomoto e Semp TCL são parceiras. “Boa parte dos recursos é de origem pública. Trabalhamos para mudar isso, para termos mais financiamento privado. Criamos eventos e nos reunimos com empresários.”

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