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Cameron quer proibir “imposto Robin Hood” sugerido por arcebispo

03/11/2011 20h16 - Atualizado há 11 anos Publicado por: Redação
Cameron quer proibir “imposto Robin Hood” sugerido por arcebispo

David Cameron jogou um balde de água fria sobre as propostas –apoiadas pelo arcebispo de Canterbury– de criação de um “imposto de Robin Hood” a ser cobrado sobre transações financeiras. O primeiro-ministro britânico alega que alguns países europeus defendem o imposto como maneira de esquivar-se de seus compromissos de elevar a assistência prestada a outros países do mundo.

Cameron vai deixar claro na cúpula do Grupo dos 20, em Cannes, que o Reino Unido não será a favor do novo imposto a não ser que ele seja implementado em nível global –coisa que é pouco provável que aconteça em função da oposição de vários países, entre eles os EUA e o Canadá.

A tarifa, às vezes chamada de imposto de Tobin, ganhou na quarta-feira o endosso do arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, em artigo publicado no “Financial Times”. Ele citou estimativas segundo as quais o imposto poderia levantar mais de US$400 bilhões por ano em todo o mundo para projetos assistenciais, injetando ânimo na economia “real”.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, é o anfitrião da cúpula do G20 e está promovendo a ideia do imposto. Enquanto isso, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse ao “Financial Times” esta semana que, se o resto do mundo se recusar a participar, a União Europeia deveria introduzir o imposto.

Cameron disse à Casa dos Comuns na quarta-feira que, embora seja favorável “em princípio” à tarifa financeira, ele desconfia que alguns países europeus vejam a ideia como desculpa para deixarem de cumprir compromissos assumidos de elevar seus gastos com a assistência para 0,7% de seus PIBs.

“Precisamos tomar cuidado para não permitir que outros países, incluindo alguns países europeus, usem uma campanha em favor deste imposto –que eles sabem que tem poucas chances de ser adotado no curto prazo– como desculpa para deixarem de cumprir seus compromissos assistenciais.”

CITY SE OPÕE À PROPOSTA – A tarifa, que poderia ser aplicada sobre transações com ações, títulos governamentais, divisas e derivativos, teria um impacto grande sobre a City de Londres. De acordo com estimativas da Comissão Europeia, aproximadamente 62% das receitas geradas por um imposto no UE viriam de Londres.

A oposição à proposta é ampla na City. Todos, desde banqueiros e gerentes de ativos até corretores e vendedores de ações, argumentam que o imposto elevaria custos e tornaria Londres pouco competitiva.

“Os responsáveis políticos europeus estão elevando os custos operacionais de todos os centros financeiros da UE, de modo que eles ficarão em desvantagem no mercado global. De que adianta nivelar o campo de ação no interior da UE se deixamos de competir com outros centros financeiros fora dela?”, comentou Stuart Fraser, presidente de políticas da City de Londres.

Se a zona do euro aprovar o imposto sozinha, como sugeriu Schäuble, os efeitos disso no Reino Unido serão desiguais.

Como o imposto se aplicaria a qualquer transação na qual pelo menos uma das partes estivesse baseada na zona do euro, os derivativos não europeus negociados em Londres não seriam afetados, e a City poderia ganhar alguns negócios de multinacionais que podem transferir suas transações com derivativos para fora da zona do euro.

Mas muitas transações baseadas em Londres e que envolvem uma contraparte que é da zona do euro simplesmente ficariam caras demais e deixariam de ser realizadas, prejudicando fortemente o que hoje é um setor em franco crescimento.

Mark Field, deputado conservador que representa a City, disse que, embora um imposto de Robin válido apenas para a zona do euro poderia dar a Londres uma vantagem no curto prazo, ele acredita que uma área de moeda única “toda-poderosa” passaria a propor a criação de outros impostos para reduzir a vantagem de Londres.

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