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Governo ordena retirada de 240 mil pessoas

12 de Janeiro de 2020 às 00:01 Publicado por: Redação
Governo ordena retirada de 240 mil pessoas Fotos: Reprodução

As autoridades australianas enviaram, nesta sexta-feira (10), mensagens de celular a 240 mil pessoas no estado de Victoria recomendando-lhes que estejam prontas para fugir da sua área de residência “assim que recebam a ordem”. Apesar de as previsões apontarem para uma queda do vento, a partir de ontem (11), as autoridades antecipam que as próximas horas serão “muito, muito complicadas”.
As populações de regiões de alto risco, em Nova Gales do Sul e Austrália do Sul, foram igualmente notificadas para pensarem em abandonar as suas casas, mas não foi revelado quantas pessoas receberam a mensagem.
Shereen e Kim Green, proprietários de três casas e de 50 cabeças de gado nos arredores da cidade costeira de Éden, na Nova Gales do Sul, foram entrevistados enquanto enchiam um tanque com capacidade para mil litros de água.
Atrás deles, o horizonte era só fumaça, enquanto o ar em torno ficava carregado de cinzas empurradas pelos ventos fortes.
“Isto é para apagar focos de incêndio e vamos ficar a pé a noite toda para proteger a nossa propriedade”, explicou Shereen, enquanto o seu veículo estremecia sob as rajadas de vento. “Estamos a aproveitar a oportunidade enquanto podemos”.
Em Éden, o nível de alerta subiu para atenção e ação na noite de sexta-feira. Sob uma torre de vigia, Robyn Malcom, outro residente, garantiu que “se tudo correr mal, vamos correr para o porto e embarcamos num barco”.
Aos jornalistas, o primeiro-ministro, Scott Morrison, revelou que os militares estão de prontidão para agir no terreno, caso as condições de eclosão de incêndio se tornem extremas, sob altas temperaturas e ventos erráticos.
Críticas e protestos
Morrison está ele mesmo debaixo de fogo, após milhares de australianos terem saído à rua na tarde de sexta-feira, contra a estratégia do governo para combater as alterações climáticas.
O primeiro-ministro da Austrália tem rejeitado as críticas e, aos microfones da radio 2GB, mostrou-se desapontado com a relação que as pessoas têm feito entre os recentes incêndios no seu país e os objetivos de redução de gases de estufa.
“Não queremos objetivos e alvos de destruição de empregos, de destruição de economia e de desmantelamento econômico, que não mudarão o fato de que temos incêndios florestais ou coisas dessas na Austrália”, afirmou Morrison.
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Várias das estradas principais do sudeste australiano estavam fechadas esta tarde, devido à fumaça e às chamas.
Em torno de Sidney, foram as manifestações que bloquearam a circulação automóvel, com pessoas a cantar “ScoMo has to go!” [“ScoMo vai-te embora”]. Houve protestos também em Camberra, capital da Austrália, e em Melbourne, cidades recentemente incluídas na lista dos lugares com pior poluição atmosférica do mundo devido à fumaça dos incêndios.
A ira chegou mesmo à Grã-Bretanha, onde uma centena de pessoas se manifestou junto à sede da Alta Comissão da Austrália, em Londres.
“Estou aqui porque o governo australiano não está a fazer absolutamente nada sobre as alterações climáticas. Pelo contrário, de forma geral negam-no e precisam ser submetidos a pressão intensa”, disse Peter Cole, um londrino de 76 anos, erguendo um cartaz que acusa Scott Morrison de “tocar violino, enquanto a Austrália arde”.
Outro cartaz chamava Morrison de fossilfool, num trocadilho com as palavras inglesas para combustíveis fósseis.

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