Rebeldes deixam cidade no leste após ofensiva

20 de março de 2012


Combatentes rebeldes foram forçados a fugir nesta terça-feira, 20, em uma ofensiva do Exército na cidade de Deir al-Zor, no leste do país, um outro revés para a oposição ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

 

Um respeitado grupo de direitos humanos acusou a insurgência armada de cometer torturas e execuções arbitrárias durante os 12 meses de rebelião, uma acusação que anteriormente só era imputada às forças de segurança.

Apesar das vitórias militares, Assad ainda enfrenta forte isolamento internacional. Nesta terça-feira, a aliada Rússia sinalizou a intenção de votar a favor de uma declaração da Organização das Nações Unidas em apoio à missão do enviado especial Kofi Annan, desde que não haja nenhum ultimato.

Além disso, Moscou aderiu à proposta da Cruz Vermelha para que rebeldes e governos adotem uma trégua diária para permitir o acesso humanitário às populações de zonas conflagradas.

Mal armados, os rebeldes têm feito recuos em vários pontos do país nas últimas semanas. Em nota, a União dos Comitês da Revolução de Deir al-Zor, cidade que fica na estrada que dá acesso ao Iraque, disse que os combatentes rebeldes preferiram recuar “para evitar um massacre civil” em bairros residenciais invadidos por blindados militares.

As forças do governo também bombardearam áreas residenciais nas cidades de Hama e Homs e na vizinha localidade de Rastan, matando pelo menos dez pessoas, enquanto um soldado morreu em um ataque a um posto de controle no sul do país, segundo fontes da oposição.

É difícil verificar os relatos que chegam da Síria devido às restrições do governo local ao trabalho da imprensa e de entidades internacionais de direitos humanos.

Numa reviravolta, a entidade Human Rights Watch acusou os rebeldes de cometerem crimes graves, como sequestros, torturas e assassinatos a sangue frio.

“A tática brutal do governo sírio não pode justificar abusos por parte dos grupos da oposição armada”, disse Sarah Leah Whitson, diretora de Oriente Médio da entidade, com sedeem Nova York, em carta aberta aos grupos dissidentes.

Nos últimos meses, a Rússia se recusa a apoiar propostas árabes e ocidentais de resoluções do Conselho de Segurança da ONU condenando a violência do governo sírio, sob o argumento de que as ações dos rebeldes também precisariam ser criticadas.

Num novo esforço para unificar a posição internacional diante da crise, a França apresentou ao conselho uma proposta de declaração que deplora a turbulência na Síria e apoia os esforços realizados por Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria.

A Grã-Bretanha disse que o texto deve ser votado na terça-feira, e a Rússia declarou que o apoiará sob duas condições -que não haja ultimatos e que Annan divulgue todos os detalhes da sua proposta.

Num fato excepcional, rebeldes sírios libertaram um general do Exército que havia sido sequestrado na semana passada num subúrbio de Damasco em troca da libertação de insurgentes e da entrega dos corpos de civis mantidos em poder da polícia, disse nesta terça-feira uma fonte oposicionista familiarizada com a negociação.

“Naeem Khalil Odeh foi libertado em troca de vários prisioneiros e 14 corpos”, disse a fonte, falando da localidade de Douma. (reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Amã; de Steve Gutterman, em Moscou; e de Louis Charbonneau, na ONU)

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