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Tunísia abre investigações de corrupção contra principal partido islâmico

Ennahdha é o maior partido no Parlamento tunisiano, cujas atividades foram suspensas nesta semana pelo presidente Kais Saied

30/07/2021 11h14 - Atualizado há 2 meses Publicado por: Redação
Tunísia abre investigações de corrupção contra principal partido islâmico Foto: Reprodução

Promotores tunisianos abriram uma investigação sobre suposto financiamento estrangeiro de campanha e doações anônimas ao movimento islâmico Ennahdha e dois outros partidos políticos, segundo a mídia local.

O Ennahdha é o maior partido no Parlamento tunisiano, cujas atividades foram suspensas nesta semana pelo presidente Kais Saied. Além de suspender o Parlamento, Saied também demitiu o primeiro-ministro e membros-chave do gabinete, dizendo que era necessário estabilizar um país em crise econômica e de saúde. Mas o Ennahdha e outros críticos o acusam-no de ultrapassar os limites constitucionais e promover um golpe de Estado, ameaçando a jovem democracia da Tunísia.

O porta-voz da promotoria, Mohsen Daly, disse na rádio Mosaique FM que as investigações foram abertas em meados de julho. Ele também detalhou que as apurações correm na agência nacional anticorrupção do país – instituição suspeita de corrupção – e na Comissão da Verdade e Dignidade da Tunísia, criada para enfrentar os abusos durante as décadas de governo autocrático da Tunísia.

O líder do Ennahdha, Rachid Ghannouchi, disse na terça-feira que seu partido é um alvo perfeito para culpar pela crise no país. À Associated Press, Ghannouchi declarou que seu partido está trabalhando para formar uma “frente nacional” para conter a decisão de Saied de suspender a legislatura, para pressionar o presidente e “exigir o retorno a um sistema democrático”.

Ele admitiu que o Ennahdha, que foi acusado de se concentrar em suas preocupações internas em vez de controlar o coronavírus, “precisa se revisar, assim como as outras partes”.

A Tunísia, berço da Primavera Árabe há uma década, quando protestos levaram à derrubada de seu líder autocrático de longa data, é frequentemente considerada a única história de sucesso dessas revoltas. Mas a democracia não trouxe prosperidade.

As reações às decisões de Saied foram diversas, com alguns esperando que tragam estabilidade e outros temendo que ele tenha concentrado muito poder.

Omar Oudherni, brigadeiro do Exército aposentado e especialista em segurança, disse que as ações do presidente, após um dia de protestos em todo o país, “puseram fim ao desenvolvimento da raiva … Esta decisão acalmou a situação e protegeu o Estado e os cidadãos, e até os partidos políticos governantes, da ira do povo.”

Ele minimizou as preocupações de um retorno ao autoritarismo.

“O povo tunisino não silenciará sobre nenhum tirano” e resistirá se o presidente for longe demais, afirmou. “Fazendo o bem vai receber apoio, e se ele quiser a ditadura, o povo vai varrer como varreu os outros”.

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