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Djalma Nery diz ser porta-voz de mandato coletivo na Câmara

Vereador assumiu o primeiro mandato com 3.106 votos e foi o candidato mais bem votado da cidade

20/01/2021 12h12 - Atualizado há 1 mês Publicado por: Redação
Djalma Nery diz ser porta-voz de mandato coletivo na Câmara Foto: Divulgação

O vereador Djalma Nery (PSOL), eleito para o primeiro mandado com 3.106 votos em outubro de 2020, atendeu ao Primeira Página para prospectar sua atuação no Legislativo. Ele foi o candidato mais bem votado da cidade.

O parlamentar já dá a dica da sua atuação como oposição ao Executivo. Segundo ele, o PSOL e PSL, apesar de terem apenas uma letra de diferença, estão em espectros opostos de posicionamento político e visão de mundo. “Então certamente teremos concepções, ações e propostas bastante distintas, mas obviamente isso não inviabiliza o diálogo”.

Nery propõe um mandato intitulado coletivo que será efetivado por 14 pessoas ligadas ao partido. O vereador irá presidir a Comissão de Meio Ambiente e participar da Comissão de Direitos Humanos, Defesa do Consumidor e Segurança Pública.

Ele diz acreditar que a vontade de mudança e renovação; somada à credibilidade pelo seu trabalho e engajamento pessoal de quase uma década foi o combustível para o expressivo volume de votos.

Confira a entrevista na integra:

PRIMEIRA PÁGINA – Qual foi a semente que germinou o agente político que hoje recebeu a maior votação em São Carlos para vereador nas eleições municipais de 2020?

DJALMA NERY – Foram duas sementinhas cruzadas: a defesa do meio ambiente e a revolta perante as injustiças e desigualdades. E a partir disso fui encontrando gente que pensava parecido e o grupo de insatisfeitos e dispostos a trabalhar para mudança foi crescendo e foi fazendo parte de outros movimentos. E quando essas sementes se juntam com a força da coletividade, o resultado é uma floresta bem densa e forte.

PP – A que o senhor atribui essa visibilidade e confiança que recebeu do eleitorado?

DJALMA NERY – Venho de outros dois processos eleitorais bastante expressivos; em 2016 tendo sido o oitavo candidato mais votado do município e em 2018 o segundo, quando fui candidato a deputado estadual. Essa confiança se deve em parte por minha trajetória pessoal como professor, ativista e militantes há mais de uma década, vinculado aos movimentos de base, de bairro, fazendo hortas, dando aulas, escrevendo, dialogando e construindo ombro a ombro com as pessoas. Coisas que aliás, vamos continuar fazendo, sempre. E em 2020 veio a ideia do Mandato Popular Coletivo, que reforçou ainda mais a candidatura, agregando diversos ativistas e militantes de quase todas as regiões da cidade ao nosso projeto. Acredito que a vontade de mudança e renovação; somada à credibilidade pelo meu trabalho e engajamento pessoal de quase uma década; ao formato inovador e democrático do mandato coletivo, atraiu bastante a atenção e o interesse das pessoas.

PP – A sua votação de 3.106 votos, na sua avaliação, tem um eleitorado específico de esquerda ou abrangeu parcela do eleitor moderado. Essa análise, pode originar uma reformulação na sua atuação como vereador?

DJALMA NERY – Acredito que o eleitorado seja predominantemente de esquerda, centro-esquerda ou progressista. Até pela maneira inequívoca que venho me posicionando, inclusive assumindo debates polêmicos e impopulares como temas a serem debatidos abertamente, sem medo ou receio de ‘perder popularidade’ – nunca tive essa preocupação. Acredito que minha atuação continuará de uma maneira parecida enquanto vereador, mas tentando exercer minha função institucional da maneira mais democrática e republicana possível.

PP – O mandato coletivo, como o senhor já divulgou pelas redes sociais, como será composto?

DJALMA NERY – Hoje são 14 membros, que se reúnem uma vez ao mês em um conselho deliberativo que decide coletivamente os rumos do mandato. Eu sou um porta-voz deste grupo e me comprometo a defender as posições tiradas por ele, ainda que eu seja voto vencido. Esse sempre foi e continuará sendo nosso acordo. Uma parte dos membros irá trabalhar conosco no gabinete e, os demais, serão voluntários. É um exercício de aprofundamento da democracia.

PP – O PSOL entra no Legislativo se posicionando oposição do Executivo? Há espaço para o diálogo?

DJALMA NERY – PSOL e PSL, apesar de terem apenas uma letra de diferença, estão em espectros opostos de posicionamento político e visão de mundo. Então certamente teremos concepções, ações e propostas bastante distintas, mas obviamente isso não inviabiliza o diálogo, pelo contrário, faz com que ele seja ainda mais importante. Nos primeiros dias do ano já me reuni com prefeito e vice para uma longa conversa focada em convergências e possibilidades de colaboração em prol da população. Tudo que for proposto pelo poder executivo e que acreditarmos de fato ser benéfico à nossa cidade, terá nosso apoio integral. E da mesma forma buscaremos sempre o apoio do poder executivo para nossas ações estratégicas e mais importantes.

PP – Qual a sua formação profissional? O que ele contribuiu na formação na formação do agente público?

DJALMA NERY – Sou graduado em Ciências Sociais, pela UNESP; e mestre em Ciências Ambientais, pela USP. Me tornei professor da rede pública estadual de ensino, escritor e gestor de entidade ambientalista do terceiro setor. Cada uma dessas experiências deu sua contribuição. As Ciências Sociais me deram o subsídio técnico e intelectual para entender a fundo o papel do Estado e do agente público, em todos os seus limites e contradições; as Ciências Ambientais contribuíram para reforçar a primazia de ações voltadas para o respeito e o equilíbrio da natureza; à docência aprimorou minha comunicação e capacidade de síntese e expressão; e o terceiro setor me capacitou enquanto gestor e coordenador de projetos e instituições. Agora a vereança é um novo ponto de partida, que certamente irá contribuir profundamente para minha formação pessoal e trajetória.

PP – O senhor já se articulou com outros vereadores para a formação de uma bancada e ganhar força nos Projetos de Lei que pretende apresentar? Se sim, quem seriam?

DJALMA NERY – Tenho começado a fazer algumas articulações e diálogos. A princípio, a pessoa com quem tenho mais afinidade e convergência política orgânica (e que já considero como bancada) é a Raquel Auxiliadora, do PT, com quem espero desenvolver parcerias longas e frutíferas. Também já tenho ações em comum com o vereador Bruno Zancheta (PL), em defesa das demandas da Guarda Municipal; com o vereador Bira (PSD), no que diz respeito à reforma agrária; e a vereadora Professora Neusa (Cidadania), nas pautas relacionadas à causa animal. Também tenho boas relações com os vereadores Elton Carvalho, Roselei Françoso, Cidinha, Dimitri e Paraná. De qualquer forma, espero tecer uma relação respeitosa, harmoniosa e produtiva com todos os parlamentares da atual legislatura.

PP – Tem como elencar o foco principal do mandato e da atividade parlamentar projetado PSOL?

DJALMA NERY – Como somos muitos, são diversas as pautas. E com o início do mandato, elas não param de chegar. Iremos nos engajar em tudo aquilo que for de interesse público e tivermos pernas para assumir. À princípio, as temáticas da educação, meio ambiente, proteção animal, cultura, juventude e participação popular, são assuntos de grande proximidade para nós. Mas temos nos debruçado ultimamente sobre diversas outras questões.

PP – O seu trabalho na sustentabilidade da agricultura familiar e orgânica gerou uma rede de produtores que hoje tem voz ativa na cidade?

DJALMA NERY – O espaço que os agricultores conquistaram – ainda insuficiente – é mérito total e exclusivo deles próprios. Neste processo fui mais um aprendiz e entusiasta do que articulador, justamente pelas limitações de não ocupar nenhum espaço relevante dentro da administração pública. Neste novo ciclo espero poder verdadeiramente contribuir para catalisar os esforços e conquistas dos agricultores e assentados de nosso município, gente que se dedica de noite e de dia para produzir alimento saudável para nossas famílias e que merece todo o respeito do mundo e mais um pouco. Precisamos urgentemente aumentar o apoio, as possibilidades e o respaldo deste setor tão invisibilizado e negligenciado pelo poder público.

PP – Em sua rede social, a narrativa sempre ressalta a diversidade. Há outro caminho para um consenso senão a pluralidade?

DJALMA NERY – Acredito que não. A diversidade e a pluralidade são caminhos indiscutíveis para os avanços e conquistas sociais. Já não é suficiente tolerar a diversidade, ela precisa ser promovida; e a pluralidade já não é mais uma opção, mas uma demanda real e inquestionável. É o esforço de síntese, de escuta qualificada e ativa, que deve predominar dentro da gestão e da administração pública, na busca por soluções que realmente beneficiem nossa população.

PP – O PSOL tem definido em quais comissões parlamentares pretende participar na Câmara?

DJALMA NERY – Iremos presidir a Comissão de Meio Ambiente e participar da Comissão de Direitos Humanos, Defesa do Consumidor e Segurança Pública.

PP – O partido já tem algum texto que configure um Projeto de Lei que possa ser apresentado ao Legislativo?

DJALMA NERY – Sim. Iremos apresentar nos primeiros dias um projeto de lei para coibir a prática de queimadas em nossa região, tão prejudiciais à natureza, à saúde e ao bem-estar de nossa população, mas negligenciadas e ‘toleradas’ pelo poder público e como reflexo da ausência de uma legislação rígida e funcional.

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