“Hospital não é UPA”, responde superintendente do HU

17 de maio de 2019


A superintendente do Hospital Universitário “Horácio Carlos Panepucci”, Ângela Leal, rebateu as críticas de políticos proferidas na sessão da Câmara da última terça-feira, 14. O presidente da Câmara, Lucão Fernandes (MDB) comparou a unidade a uma “Ferrari parada na garagem”, em função da falta do Pronto Atendimento. “Nós trabalhamos continuamente para que o hospital se torne uma Ferrari, mais que isso: uma Mercedes, pois a Ferrari andou perdendo ultimamente. Mas eu diria que os demais boxes não estão funcionando adequadamente”, rebateu. Na entrevista, Ângela Leal disse que “Hospital não pode ser confundido com UPA”.
De acordo com a superintendente do HU, para não sofrer os dissabores das UPAs lotadas, o município precisa investir em Atenção Básica. “Atenção Básica em saúde é o principal pilar do SUS. Quando não funciona adequadamente, é como se fosse uma cascata de dominó. Todo o restante do sistema sofre”, disse.
Ângela Leal afirmou que o HU está em construção contínua quanto à infraestrutura. “O que recebemos por ocasião da contratualização foi uma casca que eu costumo falar que é de ovo. Os espaços internos não estão em condições adequadas de funcionamento. Desde 2016, o hospital está em obras. Primeiro, a ampliação para 54 leitos, depois a parte de infraestrutura e agora a UTI e o Centro Cirúrgico. É um trabalho intenso de captação de recursos. Em termos de atendimento, o hospital está funcionando no limite da capacidade”, explicou.
Remuneração
Quanto à remuneração, Ângela Leal considera competitiva. “Um médico de plantão 24h ganha R$ 8.647,56. Esse cálculo contempla todas as regiões. O que ganha um médico no Sudeste, ganha no Nordeste”.
Sobre o atendimento porta fechada, a superintendente do HU insistiu. “O Hospital Universitário é porta fechada. É referenciado. Hospital não é UPA. Não é postinho e UBS. Segundo cálculos, 80% das situações de saúde são resolvidas na atenção básica, o restante precisa de hospital. Quando ocorre uma inversão, a gente pressupõe que há algo errado”.
Ela reconhece que o hospital depende de recursos públicos, mas condena quando o político usa desse subterfúgio para justificar a abertura das portas do hospital. “ Por depender de recurso público, é por isso mesmo que tem que ser referenciado. É por isso que tem que ser regulado, pois precisa ser bem utilizado. O fato de ser público, não quer dizer que o hospital é ‘casa da mãe Joana’”.
Hoje, os atendimentos do HU são referenciados pelas Unidades de Pronto Atendimento. Ângela Leal afirma que o Fundo Nacional de Saúde repassa R$ 700 mil/mês para a Prefeitura, que encaminha o recurso para o hospital, mas há uma defasagem, pois o valor não é atualizado há 11 anos. “A saúde é cara e houve um encarecimento ao longo dos anos, não no Brasil, mas no mundo inteiro, com insumos, alta do dólar, tecnologia, entre outros”.
Hoje, a folha de pagamento do hospital gira em torno de R$ 1,4 milhão, que é paga pelo Ministério da Educação (MEC). “O gestor local não tem ônus com isso. Nós gastamos R$ 900 mil por mês. Temos contratos caríssimos com os terceirizados, lavanderia, segurança e limpeza. Esses são os recursos que o HU recebe”.
Ainda segundo Ângela Leal, de 40 hospitais que operam na Rede Ebserh, apenas oito estão com as contas em dia. “E o Hospital Universitário está nessa lista. Está no azul”, observou Ângela Leal. “Temos todas as contas auditadas CGU [Controladoria Geral da União], AGU [Advocacia Geral da União], Polícia Federal, auditoria interna e auditoria da Ebserh. Captamos R$ 7,5 milhões para a construção do Centro Cirúrgico e UTI. E o único discurso que ouço é abrir portas. Só existe essa pergunta. De 2016 pra cá, aumentamos os serviços como endoscopia. No próximo mês, teremos a colonoscopia. Nós temos 35 ambulatórios de especialidades, 17 diferentes, mas parece que nada disso conta. A única coisa que querem é a porta aberta. Aí eu tenho que responder: porta aberta, com o nosso quadro de funcionários, não vai haver”.
Mesmo diante da afirmação, Ângela Leal disse que está disposta a conversar. “Estamos sempre dispostos a conversar. Não veio ninguém para conversar comigo até agora. Em 2017, me chamaram duas vezes para conversar na Câmara. Numa delas, não fui bem recebida”, lamentou.
Recentemente, a Ebserh liberou a contratação de 48 funcionários – 26 deles são técnicos em enfermagem; 11 enfermeiros e três médicos. “Com isso, será possível reabrir novos leitos. Não posso abrir leitos, ter médico, sem equipe”, concluiu.

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