“Oposição se prepara para nova derrota”, diz Melo

20 de abril de 2012


Do alto de sua experiência de cerca de 40 anos de vida pública, o ex-prefeito Dagnone de Melo (PSD) afirma que vários dos políticos que fazem oposição ao atual governo municipal preferem o egoísmo de ficar sozinho com a derrota do que dividir a vitória com outros partidos e lideranças. “Este é um fato. As últimas eleições têm mostrado isso. E é por isso que há esforço por uma candidatura única e pela constituição de um bloco efetivamente unido. Não unido por palavras ou por meras formalidades, mas unidos de fato, pelo coração e unidos pela busca de um ideal comum”.

Para Melo, as propostas de união não têm passado de encenação e não têm sinceridade. “Vejo que na hora do ‘vamos ver’, o que estamos assistindo é que as pessoas não se entendem. Não há disposição para a renúncia. Esquecem-se de que a política é dinâmica, é ampla. Se alguém não puder ser prefeito agora, pode ser deputado estadual ou deputado federal daqui a dois anos. Pode ser um grande secretário num governo de união ou pode ser um líder em crescimento. Da forma como as coisas estão sendo conduzidos, prevalece o egoísmo. Isso prevalece, e muito, a situação”.

O ex-prefeito relata que a falta de visão política e a obsessão de alguns pré-candidatos pela Prefeitura é que podem mais uma vez por tudo a perder. “Tenho certeza de que residem nestas questões o fim da Frente Ampla, pelo menos como ela foi concebida inicialmente. Ela continua menor, talvez não tão ampla como no início”.

Melo também critica a precipitação de Airton Garcia (DEM) e Paulo Altomani (PSDB) em se lançarem pré-candidatos a prefeito e vice à revelia do grupo de partidos que debatia os rumos políticos da cidade. “Houve uma precipitação que pode levar estes precipitados e ansiosos à derrota. Isso é inexorável. Eu acho que reiteradamente o eleitor tem mandado pela via das urnas o recado para as lideranças políticas da nossa cidade. Qual é este recado? O eleitor quer a união das oposições para ser uma alternativa ao atual comando da cidade”.

“Vaidade”. Esta é, segundo Melo, a “palavra maldita” que tem seduzido lideranças com o canto da sereia os levado à implacável resposta dos eleitores com derrota atrás de derrota. “As lideranças, infelizmente, têm colocado seus interesses pessoais, particulares, suas vaidades, acima dos interesses da comunidade. E isso é o que tem feito que desde 2000 a oposição venha amargando derrotas. Se não criar juízo, a oposição prepara-se para encontrar, na abertura das urnas, uma nova derrota. Acho que ainda dá tempo”.

Apesar de seu ceticismo, Melo aponta uma luz no fim do túnel. Mas avisa que ela tem prazo de validade. “As lideranças precisam ter juízo, se despir de vaidades e buscar ainda uma alternativa, uma escolha comum. Acho que ainda é possível, mas não vejo o quadro com tanto otimismo como via há algum tempo atrás”.

RUMOS DO PSD – De acordo com Melo, o PSD é um partido que foi recém constituído e que tem como grande liderança nacional o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e que é um partido ainda praticamente em formação. “Faço parte do diretório municipal do PSD de São Carlos e o nosso presidente é Ulisses Sales. Desde que fizemos a constituição do partido em São Carlos acertamos com o Kassab que não tomaríamos qualquer decisão em termos eleitorais sem antes consultá-lo”.

O ex-prefeito destaca a lealdade como princípio. “Eu tenho em minha vida pública algo muito importante, que é lealdade àqueles que confiram na gente. Então, eu não posso adiantar nenhum rumo, nenhum acordo, nenhuma tomada de posição, sem antes de ouvir o prefeito Kassab”.

Ele enfatiza que mantém seu grupo político pronto para disputar as eleições municipais. “Com relação ao político Dagnone de Melo, que foi prefeito durante 10 anos, estamos constituindo uma opinião sobre os rumos que devemos tomar. Na última semana realizamos uma concorrida reunião polícia, onde se delineou um bloco formado por parte do PSD, pelo PP e pelo PPS e alguns outros partidos que tem mantido contato com a gente. Mas antes de tomar qualquer posição iremos até o prefeito Kassab apresentar o quadro da política são-carlense e pedir sua orientação para definirmos o rumo que devemos seguir”.

Melo vê várias opções para o próximo pleito. “Temos alternativas. A primeira é lançar uma candidatura própria. A segunda seria a de apoiar um candidato de outro partido e uma alternativa que pode ainda acontecer seria a apresentação dos candidatos a vereadores e fortalecer esta chapa. Existem várias alternativas e posso lhe garantir que no momento certo, estaremos anunciando aos leitores do Primeira Página publicamente a nossa posição”.

Por fim, o político nega que tenha fechado apoio à candidatura à reeleição do prefeito Oswaldo Barba, do PT. “ Tem corrido à boca pequena na cidade que o Melo teria se composto com o PT. Isso não procede. Isso não tem fundamento. Hoje nós conversamos com todos os partidos. Mas, como já disse, quando fecharmos uma posição, viremos a pública para divulgá-la. Até lá tudo não passa de mera e pura especulação”

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