Política

Um ano antes das eleições, cenário eleitoral está indefinido


Dentro de um ano, os eleitores são-carlenses voltarão às urnas para eleger prefeito e vereadores. Entre partidos políticos e lideranças da cidade, o clima ainda é de indefinição, com muitas decisões sendo adiadas para as vésperas do pleito, no ano que vem. Diversos nomes são apontados como postulantes ao cargo de prefeito, desde lideranças políticas experientes até figuras neófitas em disputas eleitorais.

Pelo lado da atual administração, na última semana, o secretário de Governo Edson Fermiano disse que a população pediria pela reeleição de Airton Garcia, a partir do momento em que o Programa de Recape tiver um andamento satisfatório. A fala do secretário indica que o prefeito Airton tem pretensão de reeleger-se. Até então dado como candidato a prefeito, o Secretário de Esportes Edson Ferraz deve se filiar no MDB e ser o candidato a vice na chapa do atual prefeito.

Por conta da eventual aliança do MDB com o atual prefeito, Netto Donato, o segundo colocado nas últimas eleições saiu da legenda e foi para o PSDB, à convite do governador João Dória. Os tucanos veem em Netto uma chance de reconstruir o prestígio da sigla na cidade, depois do fiasco eleitoral de Paulo Altomani, em 2016, que terminou a eleição em quarto lugar.

Outro partido que espera retomar o poder na cidade é o Partido dos Trabalhadores. Em maio, durante plenária na Câmara de Vereadores, o PT anunciou o nome da ex-vereadora Silvana Donatti como pré-candidata à prefeitura. No entanto, os petistas ainda esperam que o ex-prefeito Newton Lima se apresente para a disputa, fortalecendo a chapa do partido.

Na Câmara de Vereadores, há parlamentares interessados em mudar de cargo na próxima eleição. Julio César (PL), que já foi duas vezes candidato a deputado estadual, colocou seu nome na disputa para a prefeitura no próximo ano. Leandro Guerreiro, atualmente no PSB, expoente das redes sociais em São Carlos, também tem manifestado interesse em entrar na disputa pelo comando do Paço Municipal.

OUTROS NOMES-Pelo PRTB, o ex-secretário de Agricultura Deonir Tofolo se coloca como pré-candidato a prefeito. Ele, inclusive, recrutou Julio Soldado, ex-braço direito de Paulo Altomani, para coordenar sua campanha. No PSOL, o ativista e professor Djalma Nery é apontado como o pré-candidato da sigla. Ele disputou a última eleição para deputado estadual, mas não conseguiu se eleger.

Recentemente, o empresário Italinho Cardinalli não descartou uma candidatura a prefeito pelo PTB, deixando claro que a decisão final será da direção da sigla. O Podemos anunciou, no final de julho, a pré-candidatura do também empresário Paulo Gullo, após reunião com o vereador paulistano Mário Covas Neto.

Por fim, dois candidatos sem nenhuma experiência eleitoral também se apresentam para disputar a prefeitura. Ivan Pinheiro, presidente do PSL, pretende colar sua imagem na do presidente Jair Bolsonaro para vencer a eleição, superando os tradicionais adversários. Já Sergio Ferrão, presidente do Country Club, seria candidato pelo Partido Novo. Porém, como a legenda não conseguiu ter diretório na cidade, ele filiou-se ao Republicanos para entrar na corrida eleitoral, pregando renovação e eficiência na máquina pública.

PARA ESPECIALISTA, NÚMERO DE CANDIDATOS DEVE DIMINUIR

A reportagem fez contato com Carlos Manhanelli, mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, fundador e Presidente da ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos). Ele atua na área de consultoria em comunicação política e marketing eleitoral desde 1974, coordenando várias campanhas no Brasil, na América Latina e África. Ele comentou sobre a dinâmica das eleições municipais, o impacto do cenário nacional sobre a disputa e a importância das redes sociais.

De acordo com Manhanelli, o número de candidatos a prefeito deve diminuir até o período eleitoral. “Muitos candidatos soltam balão de ensaio para ver até onde chegam, e depois acabam negociando para saírem como candidatos a vice-prefeito ou acabam se candidatando a vereador”, diz o especialista.

Já em relação ao impacto do cenário nacional na campanha municipal, Manhanelli minimizou e frisou que, em eleição local, as prioridades do eleitor são diferentes. “A campanha municipal é muito restrita aos problemas da cidade. Então, a influência do cenário nacional ou estadual, é muito pouca. Ela acontece mais entre simpatizantes e militantes partidários. Ulysses Guimarães dizia que o cidadão mora na cidade, não mora no estado ou no país. Portanto, os problemas locais é que vão impactar as eleições municipais” avalia o consultor.

Por fim, Carlos vê com bastante cautela a importância das redes sociais na eleição. Para o especialista, elas são mais um meio de comunicação, entre tantos outros que podem ser utilizados para fazer campanha. “A importância da rede social vai depender das características de cada cidade. Muita gente confunde seguidores com eleitores. As redes sociais constroem conceito e imagem de um candidato, mas para ganhar votos, são necessários outros fatores”, finaliza Manhanelli.

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