Villa chama ministro de ‘frustrado’ e elogia queda petista na UFSCar

9 de junho de 2019


Professor e comentarista político condenou a politização e o crescimento desordenado da Universidade Federal de São Carlos

Professor da Universidade Federal de São Carlos por 20 anos, o comentarista Marco Antônio Villa participou ontem, 8, do 2º Conexidades. Ele participou da mesa de discussões denominada Momento Político: o Brasil que temos e o Brasil que precisamos. Polêmico nas opiniões, Villa chamou o ministro da Educação Abraham Weintraub de “um frustrado que entrou tardiamente na universidade”.
Sobre a queda da hegemonia petista na UFSCar – reitores ligados ao PT administraram a universidade por 30 anos – Villa disse que viu a queda “com muita satisfação”. “Eu trabalhei lá por 20 anos e sei o quanto foi difícil. Fui chefe de departamento e coordenador da pós-graduação. Fiquei por oito anos nessas funções administrativas. E não era fácil. Havia dificuldade de relacionamento, mas mesmo assim conseguimos muita coisa”, disse.
Marco Antônio Villa condenou a politização que permeia a universidade. “A universidade tem que conviver com as diferentes correntes políticas e ideológicas. O que importa é a pesquisa, o ensino e a extensão de qualidade”.
Crescimento
Na opinião de Marco Antônio Villa, a UFSCar cresceu de forma desordenada. “A unidade de Sorocaba, por exemplo, não se justifica. Não há razão geográfica, inclusive. O campus de Lagoa dos Sinos (Buri), no Vale do Ribeira. Ali é para se investir em cursos de alfabetização e técnicos. Não em universidade”, explicou.
O professor cita o viés político de condução da universidade. “Foi um crescimento por razões de interesse eleitorais, sem ter um interesse científico”.
Villa ponderou. Mesmo assim, segundo ele, a UFSCar é uma excelente universidade. “As notas no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e na Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] mostram isso. Mesmo com o crescimento equivocado, a qualidade do ensino é boa, a UFSCar é uma das melhores universidades do Brasil”.
Marco Antônio Villa comentou o desempenho do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub. “A diferença dele e do anterior [Ricardo Velez Rodriguez] é que este fala português e o anterior não falava. A diferença deste ministro para o anterior é que este sabe fazer as maldades que o outro não sabia. É um frustrado que entrou na universidade com muita idade, com 20 anos de experiência no mercado financeiro e não é um pesquisador acadêmico, então ele não conhece a universidade”.
Villa disse que apontou os problemas na universidade pública quando todos estavam calados. “Que [a universidade pública] tem problemas, tem. E eu os apontei quando ele [Abraham] estava calado. Quantas vezes eu apontei o panfletarismo na universidade pública, apontei as influências política e ideológica. Aqueles que falam grosso hoje, à época estavam de joelhos. Carlos Bolsonaro, em 2004, era aliado do PT no Rio de Janeiro, quando eu já estava na oposição. Hoje é fácil estar na oposição. Na hora que o PT estava no poder, era chamado de estadista”.
Na opinião de Marco Antônio Villa, o presidente Jair Bolsonaro errou ao não nomear Mozart Ramos, do Instituto Airton Senna, como ministro da Educação.

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