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Sandra Belê traz a tradição do forró pé de serra


Hever Costa Lima
“Tudo isso eu devo ao lugar que nasci, se eu tivesse nascido fora de lá até poderia cantar o meu sertão, mas sem a mesma propriedade”, afirma Sandra.

 

Dividida ou misturada entre a modernidade e a tradição a cantora paraibana Sandra Belê carrega no nome parte de sua terra natal, Zabelê, cidade no interior da Paraíba. Ela traz a São Carlos um show de forró pé de serra no projeto Sons da Tarde de hoje, 24, às 15h30 no Sesc, no qual propõe amalgamar o som do carro de boi e da sanfona ao visual moderno e arrojado para provar que o ritmo nordestino está vivo e atuante.

“De início se pensa que por ouvir sempre os sons do nordeste, do carro de boi passando na rua ao som da zabumba, que essa cultura musical foi imposta para mim. Mas que nada, a cultura de massa também se fez presente e atropelou tudo. Em um determinado momento eu me afastei de minha terra para poder perceber as belezas de sua tradição e voltar lá para buscar esse conteúdo”, disse a cantora ao explicar que ela convive com a modernidade e a tradição tirando proveito desses elementos para compor sua carreira.

Sandra afirmou que o show de hoje é uma volta ao seu início de carreira com repertório e formação da banda que a acompanha, pautados pela tradição do pé de serra. A lista de canções inclui composições de Luiz Gonzaga, Sivuca, Marinês, João do Vale, Gordurinha, Zé do Norte e Dominguinhos, entre outros.

Sandra está em São Carlos desde o início da semana ensaiando em estúdio o repertório com músicos da cidade. Ela diz trazer na bagagem os elementos da cultura nordestina que a auxilia na forma de cantar e de se posicionar no palco. Para ela, o importante não é só o cantar, mas a forma com que se apresenta esse canto. Tanto que o show tem um figurino que remete a tradição do vestido de chita, mas com design moderno. “Tudo isso eu devo ao lugar que nasci, se eu tivesse nascido fora de lá até poderia cantar o sertão, mas sem a mesma propriedade”, filosofa.

O repertório de Sandra traz um certo quê  de lado B do forró. “Eu estudei e fui buscar cantar o que ninguém estava cantando. Para o primeiro disco ela foi ao museu fonográfico Luiz Gonzaga de Campina Grande [Paraíba], e consigo encontrar pérolas dele pouco difundidas”, contou. Mas a cantora garante que o show mescla as novidades, frutos de sua pesquisa, as músicas convencionais para que o público possa cantar e dançar com ela.

Para Sandra é importante ter uma sinergia com o público. “A gente tem de ter um feedback da platéia. Eu enquanto público, que também sou, fico muito gratificada quando vou a um show e canto junto com o artista”.

Sandra tem noção de que não se deve ir contra a mídia e fazer um trabalho hermético voltado apenas para seu gosto. “Eu me utilizo da mídia quando posso, venho fazendo minha música e caminhando pelas veredas”. 

Ela relata que suas vivências com reisados, pastoris, aboios, benditos, romances, forrós tem lhe proporcionado uma interpretação singular, da qual surge a forte identidade que carrega em sua voz e no seu sotaque quando interpreta as encantadoras obras do cancioneiro nordestino. 

 

Serviço

Show: Forró que Só

Sandra Belê e Quarteto Sinhô

Data: 24, domingo

Hora: 15h30

Local: Sesc São Carlos – Av. Comendador Alfredo Maffei, 700 – Jd. Gibertoni – São Carlos – SP

Entrada Franca

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