Terça-feira, 21 Novembro 2017  17:39:12

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: Casal precisa aceitar problema e buscar ajuda, diz psicóloga

  • Escrito por  Fábio Taconelli

A professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e integrante do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência da mesma universidade, Rachel de Faria Brino, diz que os casos de violência doméstica não significam o fim de um casamento. Porém há a necessidade do casal aceitar o problema e buscar apoio psicológico. No domingo, 5 de novembro, uma mulher matou o marido a facada, depois de 23 anos de convivência. Ela revelou à polícia que durante 15 anos apanhava do marido. “Cuidei muito dele. Tentei de todas as formas salvar o meu casamento. O levei ao Caps [Centro de Atendimento Psicossocial [Caps], ao médico. Ele dizia que eu era melhor que a mãe dele, mas a família dele na Bahia não queria saber. Ele tentou me matar por cinco vezes”, desabafou a dona de casa, autora do homicídio e que responde pelo crime em liberdade.

Por questões éticas, Raquel não pode comentar o caso em específico, por isso ampliou a sua opinião sobre a violência doméstica. “A dependência financeira é um dos fatores que permite à mulher aceitar a agressão, mas não é o único motivo. Há mulheres independentes financeiramente, que são agredidas pelo marido ou companheiro e não se separam”, ponderou.

Três componentes principais caracterizam os casos de violência, segundo a pesquisadora: sociais, culturais e culturais e objetivas. “Na sociedade, a manutenção do casamento é atribuída à mulher. É a mulher que precisa, a todo o custo, manter o casamento”, lembra a pesquisadora.

Perfil

Com base no perfil de outros casos estudados, Rachel explica que, em muitos casos, o agressor pede perdão à esposa, fica ‘bonzinho’ durante algum tempo e que depois volta a agredir. “Elas podem gostar de muitas coisas nos maridos, não da agressão. Existe aquela crença de que mulher gosta de ser agredida. Isso não é verdade. Na verdade, a mulher gosta de outras características, porém não suporta as agressões e tem a esperança que o companheiro mude o comportamento”.

A pressão social é outro fator que motiva a mulher a permanecer em silêncio diante dos casos de violência. “A mulher ouve de algumas pessoas da sociedade: ‘o que você fez para ser agredida?’. Ela acha que a culpa é dela. O entorno sempre dá muito palpite e quando resolve sair de um casamento, nunca recebe apoio”, esclareceu.

Contudo, a pesquisadora alerta: os casais que acham possível mudar o panorama de violência em casa, precisam buscar ajuda. “Hoje, existem grupos que modulam o comportamento agressivo do companheiro. A violência não significa o fim de um casamento. O tratamento é possível”, explica.

Auxiliar de limpeza alega: “apanhei durante 15 anos”

A auxiliar de limpeza de 38 anos, que matou o marido de 36 no último dia 5 de novembro, no Planalto Verde, disse: apanhou do ex-marido por 15 dos 23 anos de convivência.

Além das agressões, Vanusa dos Santos Bastos convivia com outro problema do marido: o uso de crack e álcool. O casal teve três filhos, hoje com 18, 14 e 6 anos. No dia do crime, a família foi à igreja, exceto Renato dos Santos de Oliveira, o marido. Ele ficou incumbido de fazer compras em um supermercado, mas voltou do estabelecimento com um corote de pinga. “Quando fui perguntar sobre as compras, recebi um murro. Ameacei chamar a polícia, ele ficou mais violento. Eu peguei uma faca para me defender e não imaginaria matá-lo. Estou arrependida”, contou.

 

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