Quarta-feira, 20 Junho 2018  01:30:00

CPI DA INTERVENÇÃO: Ademir afirma que foi “a mulher traída” e transfere a culpa do caos da cidade para Airton Garcia

  • Escrito por  JEFERSON VIEIRA

Ex-secretário disse que o valor “desaparecido” é bem maior do que R$ 56 mil e que emprestou dinheiro particular para comprar óleo diesel e que recebeu parte do empréstimo com dinheiro da intervenção

 O ex-secretário de Transporte e ex-chefe da Procuradoria Geral do Município, Ademir Souza e Silva, prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Intervenção no Transporte Coletivo na última sexta-feira (8). Souza e Silva afirmou que o responsável pelo caos no transporte foi o prefeito Airton Garcia (PSB) e imputou ao chefe do Executivo atos que levaram a maior crise já vista na cidade de São Carlos. O ex-secretário disse que Garcia sabia de tudo o que acontecia de errado. Era avisado e nada fazia. Partiu de Ademir, cumprindo ordens do prefeito, a decisão da intervenção na empresa Suzantur. Ele também declarou que viu inúmeras irregularidades no período e que todos os dias grande quantidade de dinheiro, em um momento chegou aa afirmam em mais de R$ 200 mil, eram “jogados em mesas” onde todos tinham acesso. Por fim, ele disse ainda que se sentia “uma mulher traída e que só levou ferro”.

O depoimento durou mais de seis horas. Ademir Souza e Silva afirmou que nunca cometeu ilícito e só tentou ajudar, porém não conseguiu explicar o sumiço de dinheiro, que ainda segundo o próprio ex-secretário o valor “desaparecido” é muito maior do que os R$ 56 mil apresentados pelo sei ex-colega de prefeitura, Mario Antunes, secretário de Fazenda. Para o ex-secretário R$ 56 mil é dinheiro de pinga pelo que acredita que desapareceu.

Ademir relatou com detalhes que não existia uma contabilidade correta e que as saídas e entrada de dinheiro eram anotadas em papeis e cadernos, sem nenhuma conferência. “Eu recebia o dinheiro do Sardelli para fazer depósito. Não havia conferência, só no banco. Não havia recibo dos valores. O Sardelli me trazia na prefeitura o valor e eu levava para depositar”, disse. Souza e Silva jogou a responsabilidade do caos na intervenção nas costas do secretário de Fazenda, Mário Antunes, do secretário de Governo, Edson Fermiano, do atual secretário de Transporte, Coca Ferraz e do interventor, Richard Wagner Jorge, que classificou como péssimo administrator e do prefeito Airton Garcia.

 

A INTERVENÇÃO

Ademir Souza e Silva afirmou aos membros da CPI que a empresa Suzantur estava anunciando que iria paralisar as atividades no dia 26 de janeiro. “Eles queria que pagássemos mais de R$ 926 mil em subsídios. Nós décimos não pagar”, explicou. Ele afirmou que a Prefeitura estava questionando o pagamento de subsídios na Justiça e por isso determinou que a Prefeitura não fizesse o repasse para a empresa.

Ainda segundo Ademir, a Suzantur começou a colocar seus funcionários em aviso prévio e foi a partir deste momento que foi determinada a intervenção. “Estava eu, o prefeito e o advogado da prefeitura, dr. Rafael. O prefeito perguntou que o poderia ser feito e decidimos pela intervenção. O prefeito mandou fazer o decreto”, contou.

Souza e Silva afirmou que todas as determinações partiram do prefeito Airton Garcia. “Na minha função eu só cumpro ordens e quem dava as ordens era o prefeito Airton. Fiz o que ele me pediu e determinou”.

 

O DINHEIRO      

Sobre o desaparecimento de R$ 56 mil, que não aparecem na prestação de contas da intervenção, Ademir Souza e Silva acredita que o rombo ainda é maior e afirmou que não pegou e não sabe quem pegou este dinheiro e que a gestão financeira durante a intervenção foi uma bagunça total. “Eu vi mais de R$ 200 mil jogados em uma mesa, onde todos tinham acesso. Tinha um monte de gente, cobradores, fiscais, todos manuseando o dinheiro. Não tinha nenhum controle. O Edson Ferraz também viu. Uma administração totalmente incompetente”, disse.

Souza e Silva comentou também que além do interventor Richard Wagner Jorge, uma pessoa de confiança do prefeito de nome José Sardelli, passou a cuidar do dinheiro. Mais tarde, o ex-chefe da procuradoria do município indicou uma pessoa chamada Sandro. “O José Sardelli, que sempre estava no gabinete de Airton Garcia passou a ajudar na intervenção. Eu pedi para o prefeito. Sardelli é que transportava o dinheiro até a prefeitura para depois ser feito o deposito no banco Bradesco”.

Souza e Silva disse ainda que o secretário Mario Antunes não cumpria as determinações. “A Justiça mandou a prefeitura colocar uma pessoa concursada para cuidar da administração financeira, porém o Mario nunca indicou este servidor, foi ai então que lembrei do Sandro. O Edson Ferraz tinha até apresentado um rapaz de nome Fernando, ele acabou não aceitando. Ai indiquei o Sandro”.

Porém as boas relações entre Sandro e Ademir foram estremecidas. “Quando vi, por várias vezes, dinheiro espalhado nas mesas e todo mundo tendo acesso acabei chamando a atenção do Sandro. Ele não gostou”.

Ademir Souza e Silva afirmou que colocou cerca de R$ 30 mil do próprio bolso para poder comprar combustível. “Faltava dinheiro para inteirar e comprar óleo, eu emprestei do meu próprio bolso”, afirmou. Ele completou dizendo o interventor devolveu parte do dinheiro que ele emprestou, utilizando dos valores arrecadados da venda de passe e tarifa e que ainda falta a receber cerca de R$ 8 mil.

Sobre o transporte dos valores arrecadados, Ademir Souza e Silva disse que eram feitos com escolta da Guarda Municipal. Porém a GM de São Carlos não faz escolta armada, uma vez que não tem autorização para o uso de armas pela Polícia Federal.

Procurado pelo Primeira Página o secretário de Esportes, Edson Ferraz afirmou que esteve na Suzantur, no setor de finanças, durante a intervenção, junto com o secretário de Fazenda Mário Antunes e a Guarda Municipal, porém não confirmou a fala de Ademir Souza e Silva.

Sobre as escoltas da GM, o diretor de Políticas Institucionais, Samir Gardini, afirmou que apenas no 1º dia da intervenção houve o acompanhamento da corporação.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Ademir Souza e Silva não soube explicar porque o secretário de Fazenda, Mário Antunes não colocou diversas informações na prestação de contas da intervenção.  Ainda segundo o ex-secretário dados como compras de molas, mais de R$ 500 mil e o empréstimo particular que ele fez para a intervenção não foram computados na prestação. “Isso é coisa do Mário”, finalizou.

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